Capítulo 8 - De volta a biblioteca
(Pensamentos de Ka): "Já aconteceram tantas coisas estranhas na minha vida que, se eu fosse escrever um livro sobre isso, acabaria quase do tamanho de um grimório. Tantas coisas que não consigo explicar, tantas coisas que ninguém consegue explicar. Mas mesmo pensando sobre isso agora, preciso me achar e fazer o que tem que ser feito. A biblioteca!"
Wagar não está na grama onde o deixei. Isso me deixou pensativo sobre o que realmente está acontecendo na minha vida neste momento. Mas sigo em frente para a biblioteca.
Ao chegar lá, vejo a porta já aberta e as luzes internas acesas, indicando que alguém chegou antes de mim. Não pode ser nenhum leitor, já que é de madrugada e a biblioteca não funciona 24 horas.
— Como que a biblioteca já está aberta a essa hora? Isso parece estranho, ninguém vem aqui a essa hora da madrugada. Vou pegar algo para me defender, talvez esse pedaço de madeira, vai que seja um ladrão? Não dá para confiar!
Entro na biblioteca com medo, mas sigo em frente. Estou à procura do livro que vi naquele dia, e que Wagar, de alguma forma, também sabia. Andando por alguns corredores, dou de cara com o livro no chão.
— Aqui está você! Você está criando muita confusão desde que fui inventar de te ler, então é melhor você ser algo importante, porque as coisas já estão indo longe demais!
Enquanto pego o livro no chão, as luzes começam a piscar, o que me deixa com tantos arrepios que começo a suar frio.
— É sério isso? As luzes vão começar a falhar justamente agora? Aqui? Será que é hora de ficar com medo? Odeio escuro!
Enquanto fico olhando amedrontado por todos os lados, uma voz ecoa por toda a biblioteca.
— Kaaaaaaaaaaa...
— Cruz credo, ave maria três vezes, não acredito que estou escutando espíritos me chamar de novo!
— Kaaaaaaa... (e a voz se aproxima de mim)
— Meu pai amado, meu pai amado...
— Ka. Então você veio.
Atrás de mim aparece uma pessoa encapuzada, mas não mostra nenhuma ofensividade. Ela fica parada ali, sem falar mais nada, olhando para mim, que segurava o livro com medo.
— Quem é você? Você que fica me chamando direto? Por que não fala logo o que quer? Eu tenho medo, sabia?
— Você tem medo? Desde quando? Não tem um Renwine que tenha medo das coisas, e você não deveria ser o primeiro.
A pessoa parecia conhecer bem os Renwine. De forma simplista, ela tira o capuz, revelando sua face. É uma garota.
— Como assim você é uma garota? Você é alguma stalker por acaso? Tá me perseguindo? Tá querendo roubar meu dinheiro?
— Calma, garoto, só quero esse livro que está com você. Preciso dele pra uma coisa muito importante. Seja um bom menino e me dê ele, vai.
— O livro? Para você? De forma nenhuma, tá louca?! Você não sabe o que tá acontecendo desde que inventei de ler essa desgraça de livro, tudo tá parecendo um jogo de RPG, e por incrível que pareça, não tá divertido! Do nada, começou a aparecer um monte de aparições, esse livro começou a me perseguir em casa, um cara chamado Wagar praticamente me sequestrou, depois apareceu um cara bizarro querendo matar nós dois. Fui obrigado a vir de novo para essa biblioteca a essa hora da madrugada. Wagar sumiu. Tem um bicho chamando meu nome já faz um bom tempo e que agora sei que era uma doida, e agora, você aparece e vem me cobrar um livro? Vai se catar, garota!
A garota parece não dar bola para o que estou falando.
— Presta atenção, tô falando contigo!
— Primeiro, me chamo Dapher. E segundo, não olhe para cima...
Obviamente teimoso, olho para cima.
Um ser grotesco, de olhos arregalados, dentes afiados e babando, com braços e mãos enormes, está no teto, bem em cima de mim.
— Mas que porra é ess...
— Kaaaaaaaaaa! (som estridente)
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