Capítulo 3 - Paralisado

Acordei no meio da noite. Tive um sonho muito estranho, na verdade, esse é o segundo... Dessa vez, havia muita luz, fogo, pessoas gritando, e eu não consegui entender nada. Estou muito suado. Que pesadelo terrível! Vou ter que ir ao banheiro tomar outro banho.

Vou em direção ao banheiro, sentindo uma presença no meu quarto. Deve ser alucinações pós-pesadelo, até porque não acredito em espíritos mesmo. Eles não existem... Eles não existem, né? (morrendo de medo). Terminei meu banho e agora vou dormir tranquilamente.

Ao ir em direção à porta do banheiro, passo pelo espelho da pia e sinto um calafrio tão grande que fico paralisado de medo, sem conseguir dar mais nenhum passo. Avisto uma pessoa encapuzada no espelho, mas depois de uma piscada de olhar, aquele ser desaparece...

— É sério? Eu vi isso? O que está acontecendo? Que coisa bizarra foi essa que eu vi? Estou com tanto medo que vou deixar todas as luzes ligadas e correr para a minha cama. Vou me cobrir o mais rápido que posso, pois meu lençol é meu escudo e minha cama é minha fortaleza!

Corro para a cama. Agora sim estou protegido, mas ainda sinto uma presença estranha dentro do meu quarto. Algo está vindo em minha direção. Será que ainda estou dormindo? Ka, acorda, porque isso vai piorar pelo visto! Vamos, Ka, acorda logo! Espera, não é um espírito, tem alguém aqui no quarto! Estou vendo entre o lençol, é realmente alguém! Um ladrão, talvez? Um psicopata querendo me matar? Ou é somente minha mãe? Vou dar um basta nisso!

Penso em dar um susto no invasor, levantando brutalmente da cama e gritando bem alto, para que ele se assuste. Só que, à medida que penso em fazer isso, meu lençol é retirado do meu corpo e surge um vulto preto na minha frente, cochichando algo incompreensível. Fico completamente paralisado de medo. O vulto se aproxima do meu rosto, aparentemente sugando minha força vital. Imóvel, torno-me uma presa fácil. Tento me mexer, me contorcer, mas todas as minhas forças estão se esvaindo com o sugamento da coisa medonha em minha frente.

Prestes a desmaiar, avisto uma luz na porta do quarto, vindo em direção à minha cama. Com poucas forças, percebo que essa luz afasta o espírito maligno de cima de mim. Devido à insuficiência de forças, desmaio...

Acordo, meio tonto e mal conseguindo me mexer ainda.

— Onde estou? Que lugar é esse? Espera, pés? Quem está me carregando? Fui sequestrado? Vão me matar! Sério, vão me matar! SOCORRO! SOCORRO! — tento gritar, mas nenhuma voz sai da minha garganta. Não conheço esse lugar, parece algo antigo. Será que isso ainda faz parte do sonho? Preciso acordar o mais rápido possível porque esse pesadelo só está piorando!

Sou posto em uma cama de palha, no meio de várias galinhas que ficam bicando meus pés. Ainda sem forças, não consigo me mexer. Com a visão turva, percebo que estou em um celeiro, e a pessoa que provavelmente me carregou está dando comida aos cavalos. Aos poucos, vou recobrando minhas forças e pensando em uma forma de fugir daquele local. Depois de um bom tempo, já tenho forças suficientes para correr, mas fico quieto, fingindo que ainda estou tonto. Quando a pessoa que me carregou se vira de costas, levanto-me rapidamente para correr, mas acabo parando ao sentir um choque em todo o corpo, impedindo-me de mover qualquer músculo.

— O que aconteceu com meu corpo? Não consigo me mexer...

— Então você já pode andar? Os Renwine realmente são formidáveis...

Não estou entendendo nada, mas percebo que aquela pessoa me conhece...

Quem será...?

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