Capítulo 2 - O sonho

(Ka acorda assustado)

— Hã? Como assim? Eu dormi? Que horas são? QUÊ??? SÃO 10 DA NOITE!? A senhorinha já deve ter fechado a biblioteca faz tempo!!

Acabo percebendo que todos foram embora e, por ter cochilado, fiquei preso na biblioteca. Saio andando entre as prateleiras de livros, chamando por alguém, mesmo sabendo que provavelmente estou sozinho aqui.

Me aproximo da seção dos livros de medicina, uma área em que as lâmpadas não acendem direito. Algumas estão queimadas, outras ficam piscando constantemente. Ao passar por essa seção, me deparo com uma pessoa lá no fundo, quieta, de costas, lendo alguns livros espalhados pelo chão. Me pergunto por que essa pessoa estaria ali, já que possivelmente eu seria o único trancado na biblioteca.

— Olá? Está tudo bem? Estamos presos aqui, sabia?

A pessoa aparenta não ligar para o que estou falando.

— É... Está tudo bem? Já está tarde, melhor procurarmos um jeito de sair daqui. Se a senhorinha souber que estamos trancados aqui, ela vai arrancar nossas orelhas!

De repente, a pessoa se vira bruscamente, fazendo-me dar um grito de susto! Percebo que a pessoa que estava ali era um senhor, bem baixinho e com uma feição meio assustadora, parecendo aquelas bruxas de contos de terror. Isso me faz recuar de medo, muito medo.

Num piscar de olhos, inexplicavelmente, o senhor aparece bem na minha frente, fazendo-me dar outro grito de susto! E com um sorriso meio macabro, tudo ficou preto.

(Ka acorda!)

— Espera? Eu estava sonhando? Pensei que tinha acordado! Pareceu tão real. Caramba... Se eu não tivesse acordado agora, talvez eu tivesse morrido de um ataque cardíaco de tanto medo que senti!

A senhorinha se aproxima da mesa de Ka.

— Ka, rapaz, já vamos fechar a biblioteca. Você deveria ir para casa, já está aqui há horas, sabia? Sua mãe deve estar preocupada.

— Está bem, está bem... Mas posso levar esse livro?

— Que livro?

— Esse que estou... Hã? Cadê o livro? Estava bem aqui!

— Ka, você anda meio doidinho da cabeça. Melhor ir para casa e cuidado para não se perder... Esses jovens de hoje...

Saio da biblioteca sem entender nada. O livro estava bem debaixo da minha cabeça, mas tinha sumido depois que acordei. Chego em casa, muito cansado, e, como de costume, com muito calor (mesmo de noite). Dou um grito avisando que cheguei em casa.

— Maaaaãe, cheguei!!!

Vou ao banheiro, tomo meu banho, escovo meus dentes e saio do banheiro todo molhado. Minha mãe odeia isso e joga um chinelo em mim, mas ela erra devido às minhas grandes habilidades de esquiva contra chinelos de mãe! Fecho a porta, troco de roupa, coloco meus fones de ouvido e vou até o espelho ficar me olhando (sim, tenho esse costume estranho), quando de repente fico paralisado. Olho pelo reflexo do espelho e vejo o livro que estava na biblioteca - que tinha sumido - bem na minha cama, sem explicação!

Me viro amedrontado, mas percebo que não tem nenhum livro lá.

Mas que coisa estranha, pensei que tinha visto o livro bem na minha cama. Será que o calor está fazendo com que eu tenha alucinações? Bem, vou me ajeitar para dormir, estou confortável, irei agradecer pelo meu dia e vou... Haaa... Dorm... Mir... (pego no sono).

Uma voz paira no quarto de Ka.

— Durma, Kaaaaaaa'a...

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