Capítulo 4 - A morte os espera
— Quem é você? De onde me conhece?
— Há, você também fala além de sair correndo como um rato?
— Já te perguntei quem é você!
— E isso te interessa tanto assim? Você não vai poder sair daqui tão fácil, e se conseguir fugir, irá morrer pelos Gaisters, já que eles foram mandados para terminar o trabalho que não conseguiram concluir...
— Eu já perguntei, quem é voc... O QUÊ!? MORRER? MAS COMO ASSIM?
— Eles souberam que ainda tinha um sobrevivente dos Renwine, e te acharam, ou seja, você corre perigo. E se não ficar quietinho aí, te coloco pra eles te devorarem imediatamente! E meu nome é Wagar, muito prazer.
Volto para a cama de palha e me sento, observando Wagar cuidar dos animais. Alguns coelhos começam a chegar perto de mim, me olhando curiosamente. Abaixo-me e acaricio os pequenos animais, no mesmo momento em que chegam outros filhotes. Wagar olha para mim com um sorriso feliz.
— Pronto, já dei comida aos cavalos, vamos para minha casa.
Seguimos para a casa de Wagar e, no meio do caminho, percebo que estamos em uma fazenda gigantesca. Ao entrar na casa, avisto vários símbolos escritos nas paredes, no chão, nas portas, em todo lugar. Wagar não é uma pessoa normal; ele esconde algo que ainda não contou para mim.
— Do que está com medo? Só são desenhos, não se preocupe, pode entrar sem medo!
— Você é algum tipo de macumbeiro?
— Mas é claro que não!
— Eu não vou entrar nessa casa, nem vem com essa!
— Bem, se não entrar, é bom se preparar para o que vem atrás de você...
Sinto um grande calafrio e, quando olho para trás, avisto vultos vindo em minha direção. Sem pensar duas vezes, corro para dentro da casa! Wagar fica na porta, olhando com um sorriso de deboche para os vultos que estão vindo. Grito:
— Vamos morrer, Deus, VAMOS MORRER!!!
Ao chegar muito próximo da casa, um dos vultos se desintegra, fazendo os outros pararem. Pelo visto, existe um campo de força na residência de Wagar que nos protege.
— Os Gaisters são sempre idiotas, mesmo. Sempre caem nisso...
— O que são eles?
— Gaisters são espíritos de pessoas que não conseguiram completar sua missão. Eles não são espíritos comuns. Eles são a personificação do arrependimento e acabam sendo convertidos nesses vultos que chamamos de Gaisters. Eles têm o costume de sugar a energia vital dos seres, na maioria, humanos como você. Só que esses daí, e o que você encontrou no seu quarto, foram mandados por alguém. Por isso, você não pode voltar para sua casa. Bem, eles não vão entrar, então vamos dormir...
Com muito medo, acompanho Wagar para conhecer a casa e ver onde vou dormir. No momento que começo a me afastar da porta, escuto o mesmo sussurro que tinha escutado antes — Kaaaaaaaaa'a — como se os Gaisters estivessem me chamando.
Vou para a cama que Wagar preparou para mim. Faço todo aquele ritual para dormir: tomo banho, escovo os dentes, saio do banheiro todo molhado, visto a mesma roupa (até porque não tive tempo de pegar outra) e vou para a cama dormir.
No meio da madrugada, sinto-me um pouco desconfortável, fico me estrebuchando de um lado para o outro, até que acordo. Ao abrir os olhos, vejo um Gaister próximo ao meu rosto, gemendo e sussurrando palavras que não entendo. O medo me impede de me mover ou gritar. Wagar arromba a porta do quarto onde estou e usa uma espécie de magia que afasta o Gaister de perto de mim. Mesmo ainda paralisado de medo, percebo que a casa está em chamas, e Wagar está muito nervoso!
— Temos que sair daqui o quanto antes! Os Gaisters conseguiram entrar de alguma forma, aqui não é mais um local seguro!
Wagar sai da casa carregando-me nas costas. Ao sair da residência em chamas, percebemos que um gigantesco Gaister nos espera...
— MAS QUE PORRA É ESSA??
— KAAAAAAAAAA'A!!!!!!!
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