Capítulo 7 - Pensamentos

Fico perdido em pensamentos:

"Sabe, acho que todo mundo já pensou em ter poderes. Até um dia desses mesmo, quando estava numa roda de amigos, o Mark dizia que seria incrível ter poderes de fogo, ele poderia virar um 'tocha humana'. Já a Caroline queria poder ler as mentes das pessoas, só porque queria saber o que o pessoal pensa sobre ela. Eu acho que ela é só uma fofoqueira, isso sim.

E eu? Nem sei o que gostaria de ter como poder. Voar, teletransportar, ler mentes, ficar invisível... talvez isso já tenha passado pela mente de muita gente. Mas, parando pra pensar, e se isso fosse realmente possível? E se algumas pessoas tivessem algum tipo de poder que não sabemos?

Todo mundo já ouviu falar nos X-Men, no Super-homem... Pensando mais a fundo, talvez alguns humanos possam ter poderes mesmo.

Pensa comigo: já vi na TV uns caras que entortam colher com a força da mente. Também vi em algum programa um cara que dizia conseguir esquentar uma folha de papel alumínio com as palmas das mãos. Mas são programas de TV, a maioria é tendenciosa, né?

Mas e aquelas pessoas curandeiras? Acontece muito em cidades do interior, lugares bem afastados, onde senhores dizem curar crianças doentes falando algumas palavras enquanto balançam um ramo de alguma planta. Já tive um amigo que foi curado de um tal de 'cobreiro', que diziam que se chegasse ao coração ele morreria.

Ah, também tem aquelas situações difíceis de explicar, como o famoso 'olho gordo', ou como muitos chamam 'quebrante'. Alguém já foi à sua casa, gostou de uma planta da sua mãe, elogiou, e no outro dia a planta morreu? Eu já vi isso acontecer, foi sinistro.

Existem tantas coisas que não consigo explicar e parecem superpoderes. Às vezes, acredito que possam existir, outras vezes, acho que é só coisa da minha cabeça e que pessoas mais inteligentes que eu conseguem explicar o que realmente é..."

— Kaaaaa...

Novamente essa voz?

— Kaaa...!

— Sim, sou eu poxa...

— Ka, acorda!!

Wagar grita por mim enquanto estou profundo em meus pensamentos.

— Wagar, é você? Onde estamos? O que houve? Han? Ainda estamos aqui?

Wagar, deitado no chão sobre minhas pernas, me olha com seriedade.

— Ka, você precisa encontrar o livro. Não sei o que você está pensando agora, mas deixe seus pensamentos para depois. O livro! Vá à biblioteca e procure o livro novamente. Me deixe aqui e vá para lá, eu me viro, não se preocupe.

— Mas Wagar, você não está bem! Não posso te deixar assim aqui sozinho!

— Garoto, eu já fiquei bem pior do que isso. Vá atrás do livro antes que seja tarde demais. Lembre-se de onde você procurou na biblioteca, não perca tempo!

— Está bem! Irei lá, pode deixar comigo!

Deixo Wagar deitado na grama e saio correndo para a cidade onde se localiza a biblioteca. Depois de poucos metros de corrida, paro, confuso, e olho para trás.

— Espera, como ele sabia da biblioteca?

Olho para onde Wagar estava deitado e vejo que o local está vazio. Wagar não está mais lá. Algo não está certo.

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